Reflexões a partir do bate-papo com a @twittess no UOL.
quarta-feira, setembro 9th, 2009Vou deixar bem claro desde o começo, eu não tenho nada contra a pessoa que responde pelo perfil @twittess.
O que não me impede de ter algumas críticas em relação a postura que a Tessália tomou.
Hoje no bate-papo do UOL perguntaram como ela começou a usar o Twitter. Veja a resposta:
“…comecei por indicação de amigos, experimentando. Já estava um pouco cansada de só usar o orkut, e resolvi ver qual era a do twitter. Em pouco tempo viciei, como a maioria de nós aqui nessa sala, e aprendi muito sobre pessoas e interação desde então.”
Veja a situação. A menina usava o Orkut; estava entediada dele; foi atrás de outra ferramenta “social”, e em pouco tempo se tornou para alguns sabichões da mídia, nerds de mãos peludas e para o próprio ego dela, uma expert em mídias sociais.
Complicado. Especialmente quando vemos a quantidade de pessoas empenhadas em estudar e esmiuçar as mídias sociais e como há dificuldades por esse caminho. É difícil acreditar que em menos de um ano um sujeito possa adquirir tanto conhecimento de causa como a Tessália afirma ter para chegar a declarar – ou insinuar – a irrelevância de outras pessoas que trabalham ou estudam há anos internet.
Ao ser perguntada se o uso de script a tornaria inferior a outros “twitteiros”, Tessália responde que:
“Acho que o twitter é uma ferramenta fantástica, mas acabamos perdendo muito conteúdo e perfis bacanas por não conhecermos, não entrarmos em contato com eles, certo? Dentro do twitter, a melhor ferramenta de aproximação é o follow, e, consequentemente, o follow-back. Bem melhor que criar spams para seus JA seguidores, certo? Saber usar o “script” é também saber respeitar o desejo de informação relevante de quem te segue, além de ser uma ótima ferramenta de divulgação do seu perfil.
”
O que eu gostaria de saber é o que significa “saber usar o script é também saber respeitar o desejo de informação relevante de quem te segue”? Cara, eu sou tão ignorante assim que não consigo perceber mais nada além de uma resposta evasiva à pergunta? É interessante, inclusive, que ela própria compara o uso do script com o spam.
Também lhe indaga sobre como ela conseguiu tantos seguidores no Twitter. Usando script, não foi? Todos sabemos disso – é óbvio, que após ter uma quantidade grande de seguidores através do uso do script, ela conquistou muitos outros sem necessidade do mesmo. Isto é uma constante nas redes sociais,”os ricos ficam mais ricos”, isto é, quanto mais conexões eu tenho mais chances eu tenho de adquirir novas conexões.
Para uma pessoa que se intitula uma analista das mídias sociais, é delicado esse uso do script. Onde fica o diálogo para conquistar a atenção das pessoas? Onde estão as conversações e a relevância? Para quem ela está falando afinal? Nesse post do Alex Primo há uma entrevista com a Tessália, na qual ela diz “não podemos negar, que o twitter é usado por milhares de pessoas. É ferramenta de pesquisa, de análise social, de comunicação , por que não, em massa também. O twitter pode ser comunicação dirigida, mas também pode influenciar muitos, em diferentes classes, nichos, sociedades, cidades…”.
Não, não é uma ferramenta de comunicação de massa. Se uma mídia social é usada como ferramenta de comunicação de massa, ela perde seu poder. Broadcast NÃO é mídia social. E mais, atingir “milhares de pessoas” não é comunicação de massa. Especialmente porque o número de pessoas que atingimos, apesar de muito importante, não é o MAIS importante – mas sim a maneira como nós atingimos essas pessoas e como elas nos respondem.
O script segue indiscriminadamente outros perfis, independente de seus gostos, idades, hábitos, sexo, opção sexual, situação sócio-econômica, posição geográfica. Quem é o público da @twittess então? Se eu fosse pagar para usar seu perfil e anunciar algum produto/ação/serviço de minha empresa, quem eu estaria atingindo? A moça tem 70 mil seguidores. Agora, como se caracterizam esses seguidores? Porque apesar desse número ser sim importante, a qualificação dessa rede também é.
Quantos desses perfis estão ativos? Eles interessam para minha empresa? Que nicho é esse, afinal? Ainda, qual é a rede desses seguidores, isto é, quem está seguindo esses 70 mil perfis? É para eles que as mensagens serão repassadas, ora.
O Cardoso foi um crítico ácido da moça, e durante o chat alguém lembrou dele e perguntou se ela sabia do porquê de tantas críticas vindas dele, ao que recebemos a seguinte resposta:
“Sinceramente? Acho que a maneira como ele procura “relevância” não funciona mais. Pode ter funcionado, mas não mais. Aliás, se vocies perceberam, eu usei a palavra “relevância” com ironia nesse bate-papo. Os publicitários, profissionais de marketing e comunicadores, tem muitas checkbox para preencher agora. A principal delas é: O que é relevância? Numero? Views? Tempo? RT? Emoção? Digo que a @twittess é relevante. É impressionante a quantidade de mensagens que recebo, de pessoas relatando “falei da Twittess e recebi 5 followes”.. “A Twittess me deu um RT e apareci na capa do migre.me”.. Mas no fim das contas.. O que conta? Essa resposta eu deixo para vocês, e para os relevantes. Eu tenho a minha caixinha de surpresas guardada, e, certamente, ela será um bom plot point para muitos “relevantes”.
”
Eu gostaria, em primeiro lugar, que ela caracterizasse “a maneira como ele procura ‘relevância’” e me dissesse os motivos desta não funcionar mais. Até onde eu sei, o que ele faz é CRIAR conteúdo ORIGINAL em mais de um blog e interagir com sua audiência. Estranho, pois lendo aqui e ali, essa parece ser uma fórmula indicada por diversos profissionais da WEB para que empresas façam sucesso na WEB. Interagir com seus públicos e criar conteúdo.
Pois é, o que é relevância? Aparecer na capa do migre.me é relevância (pra quem?)? Ganhar 5 seguidores é relevante(como?)? É engraçado que até agora eu não vi essa moça fazendo absolutamente nada demais para dar uma de guru da “WEB 2.1″- como ela chama a nova web encabeçada por pessoas como ela. Sério, alguém me diz exatamente o quê ela está fazendo para dar uma resposta dessas?
Acredito as empresas devem buscar sim se inserir nas mídias sociais, mas se entrarem nesse meio achando que o importante é ter zilhões de númerozinhos ao lado de seu perfil, vão quebrar a cara.
Na Internet, conversamos com nichos, não com largas audiências, mesmo que nosso produto tenha por objetivo vender massificamente. Olhe o que a Nike ou a Coca-Cola vêm fazendo; mesmo que sejam empresas que vendem de forma massiva, elas não usam a WEB para falar dessa forma. Existe diálogo, existe conteúdo, existe interação.
Mais uma vez, reafirmo que não tenho nada contra a moça, mas não concordo com alguma dessas posturas – e outras – que escrevi sobre aqui. Ela comenta que está abrindo uma agência de mídias sociais, pela qual, sinceramente, torço muito. É óbvio que a Tessália possui méritos e não está onde está, nem irá abrir uma agência, pelo simples uso de um script. Mas também não dá pra tapar os erros (que eu considero assim, ao menos) e fazer de conta que está tudo bem.
A moça tem um blog também, além do twitter, que você pode conhecer clicando aqui.