Um dia ainda vão chamar esse cara de gênio!

quinta-feira, setembro 10th, 2009

Eu gosto de artes, do tipo que for. As vanguardas do começo do séc. XX me fascinam, pela originalidade, pela audácia e pelo entendimento que muitos daqueles artistas tiveram da alma humana. Tempos angustiantes, sufocantes aqueles.

Vejam a seguinte pintura de Egon Schiele, pintor expressionista austríaco:

egonshiele

Autor-Retrato, 1910

A magreza do corpo distorcido e agonizante, a sexualidade nua, a angústia que cresce a medida que se vê o horror da sociedade da época – uma Áustria faminta e a beira da Primeira Guerra Mundial – retratadas em uma pintura. Acho fabuloso esse contorno branco em volta do corpo que ao mesmo tempo que protege o sujeito das dificuldades do mundo, o marginaliza, o retira para um espaço fora desse mundo. É claro, isso é o que eu vejo nessa obra, talvez você veja algo diferente, totalmente diferente de mim.

Muito mais do que os grandes cientistas e pensadores, adimiro os poetas. Eles sim entendem a alma humana. Sejam poetas assumidos, como Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa, ou poetas pintores, músicos, cineastas, escritores.

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?

Ser o que penso?Mas penso ser tanta coisa!

E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!

Gênio?Neste momento

Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,

E a história não marcará, quem sabe?, nem um,

Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.

Não, não creio em mim.

Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!

Esse é um trecho de “Tabacaria”, do heterônimo de Pessoa chamado Álvaro de Campos. A clareza com que ele consegue expressar a ansiedade do homem urbano, jovem de apartamentos e condomínios que viverá 100 anos depois é sublime. Simplesmente sublime.

E quantos músicos, quando escutamos, parecem sussurrar em nossos ouvidos sentimentos que ninguém mais conhece?

Por isso, grandes gênios para mim são aqueles que entendem o ser humano, de forma intensa e profunda.

dahmer-alone

André Dahmer ainda será chamado de gênio. Não tenham dúvidas disso, a sua arte é genial. Poucos outros escritores de quadrinhos – grandes histórias ou apenas tirinhas – e mesmo poucos outros artistas que conheci conseguiriam fazer um trabalho desses. Genial, nada mais, nada menos.