Mas que tal o moleque…

quarta-feira, setembro 30th, 2009

Vi no blog do Altino Machado.

Buenas, pode ter sido decorado, mas ainda assim, é uma bela prova de coragem e de dignidade.

Me pergunto se essa classe média que está I-N-D-I-G-N-A-D-A pela afronta de um “paísinho de merda” como Honduras ao Brasil tem noção de que essas pessoas estão realmente lutando…

Fiz uma loucura!

sexta-feira, setembro 18th, 2009

Sim, não sei o que me deu exatamente, mas hoje eu fiz uma loucura. Ainda me questiono, passadas algumas horas do fato, mas surgem cada vez mais dúvidas se o que fiz foi certo ou errado.

De qualquer forma, vou adimitir: comprei uma Veja.

Sim, eu sei, eu sei…é a Veja! E eu a comprei. A revistinha mais nojenta que eu conheço, que se fosse por vontade de seus editores, fuzilava os sem-terra e plantava soja até no gramado do meu condomínio…mas eu tive que comprar. O impulso foi mais forte do que eu mesmo.

Aqui vai um retrato falado copiado do site da revista:

veja

E o pior de tudo: eu recomendo que vocês façam o mesmo. Especialmente se não concordarem com os pontos de vista e as abordagens da linha editorial da revista.

Da mesma forma, recomendo que quando vocês virdes um blog/site que contenha opiniões divergentes das suas guarde seus endereços, e os visite de vez em quando.

Mesmo que tu tenhas vontade de bater com a cabeça – a sua ou do autor das palavras que te irritaram – quando visitas algum deles. É complicado, eu sei, ficar acompanhando alguém ou algum site que você não gosta e pensa que o sujeito só escreve besteiras. A maioria dos blogs ou sites que estão nos meus favoritos estão ali porque eu concordo com a visão de mundo que essas pessoas têm e gosto de ler suas opiniões; entretanto, isso é bastante problemático.

Explicarei.

Uma crítica aos meios de comunicação de massa é que eles homogenizam as mensagens para atingir a maior quantidade possível de pessoas, o que geraria conformidade e pouca discussão crítica, já que as vozes divergentes são marginalizadas.

Então surge a maravilha chamada Internet. Só coisas boas teremos com essa tal de Internet, diziam alguns. A pornografia que o diga.

Então alguns teóricos, e o mais proeminente deles talvez seja Pierre Lévy, falam sobre os potenciais da Internet para criar uma ciberdemocracia, ampliando os espaços de discussão, criando ágoras virtuais que conectam especialistas e leigos do mundo todo num espaço de crítica racional e discussões produtivas.

Mas é claro, não funcionou nem funciona assim.

minhascomunidades

É inegável o potencial que a Internet tem para conectar as pessoas, para democratizar o acesso a cultura e informações variadas; além disso, a Internet nos deu o poder de distribuição que antes não tínhamos – podíamos até criar coisas, e o computador nos deu muito poder para isso, mas foi a Internet que nos possibilitou alcançar as pessoas e mostrar-lhes o que produzimos.

Mas isso é em potencial, isto é, pode se realizar, mas não irá acontecer necessariamente nem naturalmente.

É aí que chego na questão da revista Veja.

Apesar das possibilidades de discutirmos e conversarmos com as mais diferentes pessoas, dificilmente ou raramente discutimos com pessoas que possuem opiniões divergentes das nossas. Dá trabalho, desgasta e nos incomoda – mesmo que seja mais produtivo do que ler sempre os mesmos blogs ou indivíduos com quem concordamos.

Jenkins salienta isso no seu livro A Cultura da Convergência. Temos as possibilidades de conversarmos com os mais variados tipos de pessoas, mas também há a possibilidade de nos conectarmos apenas com aqueles que compartilham nossa visão de mundo em determinado assunto, o que limita a circulação de idéias e opiniões que quando colocadas num mesmo lugar poderiam gerar mais conhecimento e levar as pessoas a ter um pensamento mais crítico. Estreita nossa visão do mundo e acabamos sempre vendo apenas um lado das coisas.

É essa razão pela qual hoje eu comprei a Veja. Porque geralmente eu discordo do que eles escrevem, mas eu preciso ler mais vezes o que eles escrevem para me levar a questionar as minhas próprias decisões e opiniões, consequentemente me levando a embasá-las melhor ou se for o caso, mudá-las. Da mesma forma, tenho favoritado blogs e sites com os quais dificilmente compartilho crenças, mas é preciso ouvir e ler mais outras opiniões para termos realmente certeza que não concordamos com elas.

Nesse caminho, a gente vai se conhecendo, crescendo e aprendendo a ser mais tolerante com os outros. Aprender a viver com a diferença. Sempre achei que a democracia tinha um pouco disso.