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Está decidido, a culpa é da Classe Média.

segunda-feira, novembro 23rd, 2009

Está decidido, a culpa de toda a merda no país é da Classe Média.

Eu até gosto dessa crítica irônica, sarcástica e sutil – às vezes nem tanto – do Socialismo & Classe Média e do Classe Média Way of Life.

Realmente me divirto com ambos, mas ao que parece, tem gente levando muito a sério e concordando cegamente com tudo que é escrito nestes. É fácil de notar isso no segundo; leia os comentários.

Alguns exageros são cometidos em ambos, e a generalização é o maior dos pecados; sei bem que é o preço a se pagar para poder falar de um grupo gigantesco de pessoas brasileiras que só tende a crescer, mas mesmo assim, essa generalização não funciona.

Primeiro, e antes de tudo, porque toda generalização é burra. Não dá pra afirmar algo sobre um universo tão grande de pessoas com tanta certeza, pois não somos batatas para serem colocadas no mesmo saco.

Depois, porque as diferenças entre as famílias consideradas de classe média no país são enormes.

Sejam econômicas, culturais, sociais, religiosas, educacionais, pirocais (do verbo pirocar, proveniente do sujeito PIROCA)…

Por exemplo, uma família recém incluída na faixa da classe média devido aos avanços do presidente estupra mas não mata Lula não pode ser comparada a uma família com pais que fizeram curso superior, ganham juntos 7 a 10 mil reais mensais, têm 2 ou 3 filhos que estudam em escolas particulares/universidades. Não estou dizendo que a primeira é menos digna, antes que me acusem de qualquer porcaria.

Depois, muitos valores e críticas de ambos veículos digitais não são exclusivos da classe dita média. Estão presentes nas camadas ricas e nas pobres. Aparentar status, por exemplo, até os animais fazem para ganharem algo. Mostrar que tem, mesmo que não tenha, não é característica singular da classe média. Hipócritas, então? Em alguma hora, em algum momento, todos fazemos algo que dizíamos ser absolutamente inaceitável.  Somos humanos, porra.

Só dar uma voltinha no Orkut, no Blog da PGA ou na Caras-Amigos.

Por último, essa necessidade de apontar o dedo pra alguém ou alguma entidade.

A real é que mesmo que os criadores dos dois veículos não desejem assim, a impressão que passa e que muita gente compra, é que a culpa de toda merda e especialmente da hipocrisia é da classe média.

Não é, e não é mesmo.

Mesmo porque essa hipocrisia pra bater punheta pela vida toda é geral no Ocidente…

Eu voltarei a postar sobre isso.

ps.: eu sei que não foi o Lula que proferiu a famosa frase “estupra mas não mata”; mas a forma como as pessoas defendem o seu governo para justificar o mensalão e etc se encaixa na mesma categoria.

Mas que tal o moleque…

quarta-feira, setembro 30th, 2009

Vi no blog do Altino Machado.

Buenas, pode ter sido decorado, mas ainda assim, é uma bela prova de coragem e de dignidade.

Me pergunto se essa classe média que está I-N-D-I-G-N-A-D-A pela afronta de um “paísinho de merda” como Honduras ao Brasil tem noção de que essas pessoas estão realmente lutando…

Fiz uma loucura!

sexta-feira, setembro 18th, 2009

Sim, não sei o que me deu exatamente, mas hoje eu fiz uma loucura. Ainda me questiono, passadas algumas horas do fato, mas surgem cada vez mais dúvidas se o que fiz foi certo ou errado.

De qualquer forma, vou adimitir: comprei uma Veja.

Sim, eu sei, eu sei…é a Veja! E eu a comprei. A revistinha mais nojenta que eu conheço, que se fosse por vontade de seus editores, fuzilava os sem-terra e plantava soja até no gramado do meu condomínio…mas eu tive que comprar. O impulso foi mais forte do que eu mesmo.

Aqui vai um retrato falado copiado do site da revista:

veja

E o pior de tudo: eu recomendo que vocês façam o mesmo. Especialmente se não concordarem com os pontos de vista e as abordagens da linha editorial da revista.

Da mesma forma, recomendo que quando vocês virdes um blog/site que contenha opiniões divergentes das suas guarde seus endereços, e os visite de vez em quando.

Mesmo que tu tenhas vontade de bater com a cabeça – a sua ou do autor das palavras que te irritaram – quando visitas algum deles. É complicado, eu sei, ficar acompanhando alguém ou algum site que você não gosta e pensa que o sujeito só escreve besteiras. A maioria dos blogs ou sites que estão nos meus favoritos estão ali porque eu concordo com a visão de mundo que essas pessoas têm e gosto de ler suas opiniões; entretanto, isso é bastante problemático.

Explicarei.

Uma crítica aos meios de comunicação de massa é que eles homogenizam as mensagens para atingir a maior quantidade possível de pessoas, o que geraria conformidade e pouca discussão crítica, já que as vozes divergentes são marginalizadas.

Então surge a maravilha chamada Internet. Só coisas boas teremos com essa tal de Internet, diziam alguns. A pornografia que o diga.

Então alguns teóricos, e o mais proeminente deles talvez seja Pierre Lévy, falam sobre os potenciais da Internet para criar uma ciberdemocracia, ampliando os espaços de discussão, criando ágoras virtuais que conectam especialistas e leigos do mundo todo num espaço de crítica racional e discussões produtivas.

Mas é claro, não funcionou nem funciona assim.

minhascomunidades

É inegável o potencial que a Internet tem para conectar as pessoas, para democratizar o acesso a cultura e informações variadas; além disso, a Internet nos deu o poder de distribuição que antes não tínhamos – podíamos até criar coisas, e o computador nos deu muito poder para isso, mas foi a Internet que nos possibilitou alcançar as pessoas e mostrar-lhes o que produzimos.

Mas isso é em potencial, isto é, pode se realizar, mas não irá acontecer necessariamente nem naturalmente.

É aí que chego na questão da revista Veja.

Apesar das possibilidades de discutirmos e conversarmos com as mais diferentes pessoas, dificilmente ou raramente discutimos com pessoas que possuem opiniões divergentes das nossas. Dá trabalho, desgasta e nos incomoda – mesmo que seja mais produtivo do que ler sempre os mesmos blogs ou indivíduos com quem concordamos.

Jenkins salienta isso no seu livro A Cultura da Convergência. Temos as possibilidades de conversarmos com os mais variados tipos de pessoas, mas também há a possibilidade de nos conectarmos apenas com aqueles que compartilham nossa visão de mundo em determinado assunto, o que limita a circulação de idéias e opiniões que quando colocadas num mesmo lugar poderiam gerar mais conhecimento e levar as pessoas a ter um pensamento mais crítico. Estreita nossa visão do mundo e acabamos sempre vendo apenas um lado das coisas.

É essa razão pela qual hoje eu comprei a Veja. Porque geralmente eu discordo do que eles escrevem, mas eu preciso ler mais vezes o que eles escrevem para me levar a questionar as minhas próprias decisões e opiniões, consequentemente me levando a embasá-las melhor ou se for o caso, mudá-las. Da mesma forma, tenho favoritado blogs e sites com os quais dificilmente compartilho crenças, mas é preciso ouvir e ler mais outras opiniões para termos realmente certeza que não concordamos com elas.

Nesse caminho, a gente vai se conhecendo, crescendo e aprendendo a ser mais tolerante com os outros. Aprender a viver com a diferença. Sempre achei que a democracia tinha um pouco disso.

Bispo Edir Macedo e o pote de ouro no fim do arco-íris.

quarta-feira, abril 22nd, 2009

Primeiro eu ri. Depois fiquei indignado. Depois fiquei com pena.

O Bispo Edir Macedo, um dos caras mais falcatrua que caminharam pela face da terra pediu ajuda aos iludidos fiéis de sua empresa igreja ajuda para custear seu site e blog. Coisa modesta, afinal, os custos da internet são baixos; com 100 reais mensais você consegue um servidor muito bom, mais uma grana pra luz gasta, sei lá, 100 reais por mês, buenas, temos aí uns 200 reais mensais. Considerando que tem que ter um estagiário pra tocar a coisa, calculamos um salário de R$ 1500,00 mensais, mais outros eventuais gastos, fechamos tudo em super inflacionados dois mil reais por mês.

Claro, isso se seu site não for tocado pela graça divina de deus:

Caralho! Mais de 100 mil reais mensais que ele quer cobrar dos miseráveis fiéis da sua empresa estelionatária igreja.

Eu ri quando vi os custos. Fiquei indignado com a cara de pau do tal bispo em querer cobrar das pessoas esse absurdo. E fiquei com muita pena de quem caiu na lábia desse larápio quando li os comentários:

“Posso me esmerar mais para contribuir com as despesas”. Caramba, a mulher já doa, e vai se privar de conforto na sua vida para dar dinheiro para a igreja. E ela certamente não é a única. Na minha cidade, conheci uma família que ia nessa igreja maldita, e há anos que a mãe queria comer frango assado com polenta, que é algo vendido sempre aos domingos em Ijuí por mercados, restaurantes…e ela não o fazia porque tinha que doar o dinheiro para a igreja. Um absurdo.

Percebem gente? Quando se trata das coisas de deus, um serviço de hospedagem custa 100 mil por mês.

Triste ver isso, porque é a realidade de milhões de pessoas que estão completamente cegas pela lavagem cerebral que sofreram.

Bem de boa, eu quero MUITO, MUITO MESMO, mandar o excelentíssimo bispo Edir Macedo TOMAR BEM NO MEIO DO CU.

Veja o post inteiro do bispo aqui.

O Felipe Neto escreve um post mais articulado que o meu a respeito aqui.