Rotina
terça-feira, janeiro 19th, 2010Cresce feito planta
Carnívora. Você a alimenta e,
mais cedo ou mais tarde,
ela acaba por te engolir.
Caroline Maia Szarko
Cresce feito planta
Carnívora. Você a alimenta e,
mais cedo ou mais tarde,
ela acaba por te engolir.
Caroline Maia Szarko
Fingir
Ser simpático…
Deforma o rosto.
Uby Teixeira
Na série – Poemas no Ônibus, em Porto Alegre.
Eu achei o máximo!
Já tem um tempo que foi lançado o trailler, mas eu só fui ver isso agora. O filme também conta com um blog com diversas informações sobre a produção, além de materiais muito bem feitos. O filme conta a história de Besouro Mangangá ou Besouro Cordão de Ouro, um capoerista bahiano que virou uma lenda entre os praticantes dessa luta/dança/arte.
No Jovem Nerd consta que o coreógrafo das lutas é Hiuen Chiu, o mesmo do filme O Tigre e o Dragão. A trilha sonora do filme conta com gente do calibre de Gilberto Gil, que gravou a canção tema do filme, além da banda Nação Zumbi, Rica Amabis e Naná Vasconcelos.
O diretor é João Daniel Tikhomiroff, publicitário carioca que já ganhou diversas prêmios na área de cinema. A veia comercial do filme tem nome, então.
O que é bom, diga-se de passagem. Grande bobagem esse papinho pseudo-intelectual brasileiro de que filme bom é filme “chato”; uma produção dessas nos dá a chance de conhecer um personagem histórico que foi importante para a construção de nosso país.
É uma pena que conheçamos tão pouco de nossa gente, pois certamente há muitos outros heróis do povo que acabam nunca sendo conhecidos pela população, nos deixando com um estranho sentimento de que nossa história nunca foi decidida por nós, o povo mesmo. Um sentimento de que toda injustiça que nos foi feita nunca teve oposição, e sempre baixamos a cabeça mediocramente para os opressores. Não é verdade.
E gosto de ver que a história de um sujeito característico de nossa terra vai ser levada ao cinema com uma produção aparentemente muito boa e profissional, vai atrair a atenção das pessoas e não será mais um daqueles filmes chatos que as professoras de história e literatura passam pros alunos nas escolas.
Com estréia marcada para o dia 30 de outubro, o filme promete ser um blockbuster tupiniquim. Espero que chegue aos cinemas aqui de Porto Alegre; pagarei o ingresso com muita satisfação.
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
——- ——-
Trecho de Liberdade por Fernando Pessoa.
Eu gosto de artes, do tipo que for. As vanguardas do começo do séc. XX me fascinam, pela originalidade, pela audácia e pelo entendimento que muitos daqueles artistas tiveram da alma humana. Tempos angustiantes, sufocantes aqueles.
Vejam a seguinte pintura de Egon Schiele, pintor expressionista austríaco:

Autor-Retrato, 1910
A magreza do corpo distorcido e agonizante, a sexualidade nua, a angústia que cresce a medida que se vê o horror da sociedade da época – uma Áustria faminta e a beira da Primeira Guerra Mundial – retratadas em uma pintura. Acho fabuloso esse contorno branco em volta do corpo que ao mesmo tempo que protege o sujeito das dificuldades do mundo, o marginaliza, o retira para um espaço fora desse mundo. É claro, isso é o que eu vejo nessa obra, talvez você veja algo diferente, totalmente diferente de mim.
Muito mais do que os grandes cientistas e pensadores, adimiro os poetas. Eles sim entendem a alma humana. Sejam poetas assumidos, como Fernando Pessoa, o maior poeta da língua portuguesa, ou poetas pintores, músicos, cineastas, escritores.
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio?Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Esse é um trecho de “Tabacaria”, do heterônimo de Pessoa chamado Álvaro de Campos. A clareza com que ele consegue expressar a ansiedade do homem urbano, jovem de apartamentos e condomínios que viverá 100 anos depois é sublime. Simplesmente sublime.
E quantos músicos, quando escutamos, parecem sussurrar em nossos ouvidos sentimentos que ninguém mais conhece?
Por isso, grandes gênios para mim são aqueles que entendem o ser humano, de forma intensa e profunda.

André Dahmer ainda será chamado de gênio. Não tenham dúvidas disso, a sua arte é genial. Poucos outros escritores de quadrinhos – grandes histórias ou apenas tirinhas – e mesmo poucos outros artistas que conheci conseguiriam fazer um trabalho desses. Genial, nada mais, nada menos.