Archive for Dezembro, 2007

Tchau 2007.

Segunda-feira, Dezembro 31st, 2007

Finalmente. Graças a deus(no meu caso, deusas loiras suecas do sexo).

Esse não foi um bom ano - não que eu me recordo de algum que me faça querer voltar no tempo para vivê-lo novamente; só iria se pudesse mudar algumas coisas.

Para o meu amado Brasil então…terrível. Na real foi uma verdadeira merda(porque eu não sou fã de eufemismos).

Juremir Machado, colunista do Correio do Povo, escreveu na sua última coluna publicada que 2007 foi o ano do plágio, onde nós brasileiros exercitamos maestralmente aquilo que nos define e assim, se não melhorou as condições de vida, pelo menos descobrimos país do que somos - e não é do futuro: o país do plágio.

Tivemos o Pan, tivemos o Tropa de Elite, tivemos as tragédias aéreas, o fim da CPMF, a sacanagem dos deputados estaduais do Rio Grande do Sul que mostraram a que vieram(pra foder com o povo gaúcho) mas a imagem que melhor representa 2007 para mim foi a seguinte:

1417548415_8ad3321c80.jpg

Vergonha, entendem?

Fomos vergonhosos em 2007. Entregamos bilhões na Bolívia num exercício de retórica só pra ver Chávez ganhar influência no continente, vimos um Senado que tem como único propósito sustentar uma corja de vagabundos desonestos(com algumas exceções), vimos a nossa incompetência com a crise aérea(com figuras ilustres comemorando defeitos nos aviões), vimos uma ministra nos mandar relaxar e gozar no meio da merda…

Pessoalmente, foi um ano de contrastes. Meu primeiro semestre foi confuso, com altos e baixos e com um desfecho absolutamente horrível. O segundo foi bem melhor, apesar do meu profundo desânimo com o curso de Publicidade que faço, já que conheci pessoas maravilhosas e tive momentos incríveis com elas.

—-

O interessante é que esse sujeito que vos escreve gostaria de continuar em 2007. O motivo é bem simples: é meu último ano na faculdade, e aí vem a monografia e eu não tenho idéia sobre o que escrever. Faço justiça ao nome do blog: Nenhuma criatividade.

Sugestões são muito bem-vindas!

HAHA

Um feliz 2008 a todos, e que seja muito melhor que esse que termina!

ps.: o link ali é pro meu orkut, se quiserem, podem adicionar!

Amor é para os fracos.

Terça-feira, Dezembro 11th, 2007

Desde que eu me lembro, eu torcia para os vilões. Dos filmes, claro.

Todo mundo sabe que eles são muito mais interessantes, mas além disso havia algo mais.

Talvez fosse os seus objetivos, que sempre eram mais concretos que dos mocinhos: destruir o mundo X defender a justiça. Era muito mais fácil de compreender o que ele realmente queria, e nele ninguém mandava. Mas o mocinho…geralmente estava sempre manipulado por alguém e só descobria no final, e sempre se preocupando com coisas bestas, e pqp, porque sempre tinha que ter alguma mulher pra ele beijar no final?Aff.

Só que o que realmente me irritava era a forma como depois de passar 2 horas vendo o vilão maquinar tudo perfeitamente, agir de forma meticulosa para atingir seus objetivos, por alguma razão nada compreensível, ele se tornava um completo estúpido no fim e fazia tudo errado e entregava o jogo para o mocinho. Putz, ninguém merece.

Tudo bem, fazer o quê. Mas pelo menos eles tinham um belo motivo, o ódio. Fosse ódio pela humanidade, pela ex que deu um fora, pelo mocinho que sempre se dava bem ou mesmo de si mesmo. Era o ódio que os levava, excetuando o último momento, a sair do seu lugar comum e fazer planos extraordinários e executá-los de forma maestral.

Mas claro que eu, como o ser humano sensato que sou(UIAHIEUHEHEIHIEEHU!!!!) não concordava de verdade verdadeira  com a morte de pessoas, assaltos e etc. coordenados por esses vilões. Eu só gostava da forma como eles agiam quando o ódio os tomava. De forma muito mais interessante do que as ações abobadas motivadas pelo “amor”, compaixão e outros sentimentos cuti cuti dos mocinhos.

Tudo isso pra dizer que eu adoro a história Santo dos Assassinos de Garth Ennis.

santo-dos-assassinos.jpg

O Santo dos Assassinos é um personagem secundário da série Preacher, do mesmo autor.

Ele é, em suma, o anjo da morte. Na verdade, ele substituiu esse mesmo anjo no seu trabalho, recolher os mortos, já que o celestial estava entediado depois de tantos milênios fazendo a mesma coisa.

O nosso santo pistoleiro era um assassino também quando era vivo. Mas ele encontrou o amor(eca!), e construiu uma família isolado nas montanhas. Coisas não planejadas acontecem e ele acaba substituindo o anjo da morte. É muito uma bela história de um dos personagens mais intrigantes de Preacher, e eu realmente recomendo.

Você pode fazer o download da HQ clicando na imagem acima. Para ler você precisa do CDisplay.

Pensar Enlouquece.

Quarta-feira, Dezembro 5th, 2007

Pense nisso, como diria o Inagaki.

E realmente, pensar enlouquece. Ou pelo menos nos deixa apreensivos, nervosos, até mesmo com medo, especialmente se nos confrontamos com alguma coisa nova. É animalesca a forma como reagimos àquilo que foge das convenções, do que está estabelecido, do que nos parece “natural” - e natural pouca coisa é.

Por exemplo, eu comecei escrevendo esse exato parágrafo sobre o quão ofensivo é para a sociedade ver dois gays se beijando, mas desisti porque não queria passar uma idéia errônea sobre um movimento, sobre uma posição política ao banalizar a situação num exemplo simples.

Na verdade, eu concordo com a descrição da comunidade Não à Assimilação Gay no orkut:

A campanha mainstream de direitos GLBT, sequestrada pelos setores mais privilegiados da sociedade, é focada principalmente na obtenção de direitos heteros como o casamento, a adoção e o serviço militar, em detrimento àquilo que a faz excepcional em primeiro lugar: a sua subversividade.

É por isso que eu desisti do exemplo. A subversividade, neste contexto, singinifica liberdade.

Eu acho triste quando vejo que tem tanta gente que realmente acredita na história de Adão e Eva. Eu acho triste que depois de 100 anos de psicanálise pra lá e pra cá na sociedade ainda há quem acredite que homossexualismo é doença, e que o “natural” seja homem com mulher. E antes que venham me dizer que Freud, o pai da psicanálise, dizia que homossexualismo era algo fora do normal, acredito ser importante que se tenha em mente que o “normal” era(é) uma subjetividade formada CULTURALMENTE e SOCIALMENTE, logicamente, um desvio desse sistema não estava de acordo com as condutas mais comuns para aquela(nossa) sociedade mas isso não significa que um desvio não seja natural. É tão natural quanto a formação heterossexual.

A diferença está na subversividade. Nesse remar contra a maré de uma sociedade baseada na violência sobre o próximo, em níveis claramente vistos e em outros muito mais sutis.

Ora, a falta de participação dos negros na sociedade, as violências contra as mulheres e crianças, a desigualdade sócio-econômica, a homofobia, a invisibilidade lésbica, entre outros, são todas faces de uma mesma moeda. Todas essas violências estão conectadas.

1.jpg

Bem, e o porquê disso tudo? Por esse post na comunidade já citada acima, que fala sobre: bissexualidade: fábrica de omissão.  Em determinado momento do post é escrito por uma das participantes da comunidade que “Somos melhor que eles sem dúvida. Amamos de verdade, amamos melhor” ao se referir ao amor entre mulheres. Eu respondo dizendo que acho que essa afirmação é tão violenta e ilógica quanto a afirmação de que o heterossexual é natural.

Eu não acredito que nossa sexualidade seja de forma alguma uma coisa natural, eu vejo como algo continuamente construído culturalmente na sociedade. Sendo assim, não concordo também com a afirmação de que o amor homossexual é melhor que o hetero.

Eu sei que o heterossexualismo pode ser violento - dizem, as grandes teóricas do feminismo, que sempre o é - , mas da mesma forma como ele é construído de forma cultural, o homossexualismo também é construído assim, e certamente pode ser tão violento quanto.

A questão é estrutural na sociedade. É a forma como os sujeitos se desenvolvem, e constróem sua subjetividade.

Mas pensar nessas coisas não só enlouquece, dá medo.

Eu tenho medo da resposta ao meu comentário no post lá na comunidade, porque eu posso estar errado. E aí, pra onde vou?